O Leão e o Rato

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O Leão dormindo, andavam uns ratos brincando ao redor dele, e saltando-lhe por cima o acordaram. Tomou ele um entre as mãos e estava para o matar; mas pelo ter em pouco e pelos muitos rogos com que lhe pedia, o soltou. Sucedeu daí a pouco tempo cair o Leão numa rede, onde ficou liado, sem poder valer-se de suas forças. E sabendo-o o Rato, tal diligencia pôs, que roeu brevemente os laços e cordéis, e soltou o Leão que se foi livre em pago da boa obra que lhe fez.

Fábulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira

Juno e o Pavão

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Veio o Pavão a Juno muito queixoso, dizendo por que razão o Rouxinol havia de cantar melhor que ele, e ter-lhe outras muitas vantagens? Disse Juno que não se agastasse; que por isso tinha ele as penas formosas, cheias de olhos, que pareciam estrelas. Isso é vento, replicou o Pavão, mais tomara saber cantar. Juno respondeu: Não podes ter tudo. O Rouxinol tem voz, a Águia força, o Gavião ligeireza, tu contenta-te com tua formosura.

Fábulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira

A Mosca e a Formiga

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Entre a Mosca e Formiga houve grande altercação sobre pontos de honra. Dizia a Mosca: Eu sou nobre, vivo livre, ando por onde quero, como viandas preciosas, e assento-me à mesa com o Rei, e dou beijo nas mais formosas damas. Tu mal-aventurada, sempre andas trabalhando. Respondeu a Formiga: Tu és douda ociosa. Se pousas uma vez em prato de bom manjar, mil vezes comes sujidades e imundícies aborrecidas de todos; se te pões no rosto da dama ou á mesa com o Rei, não é por sua vontade, senão porque tu és enfadonha e inoportuna.

Fábulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira

A Raposa e o Corvo

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O Corvo apanhou um queijo, e com ele fugindo, se pousou sobre uma arvore. Viu-o a Raposa, e desejou de lhe comer o seu queijo: e pondo-se ao pé da arvore, começou a dizer ao Corvo: Por certo que és formoso e gentil homem, e poucos pássaros ha que te ganhem. Tu és bem disposto e mui galante; se acertaras de saber cantar, nenhuma ave se comparara contigo. Soberbo o Corvo destes gabos, e desejando de lhe parecer bem, levanta o pescoço para cantar; porém abrindo a boca caiu-lhe o queijo. A Raposa o tomou e foi-se, ficando o Corvo faminto e corrido da sua própria ignorância.

Fábulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira